- A CazéTV pode enfrentar barreiras da FIFA para manter os direitos da Copa de 2030.
- A principal preocupação envolve possível conflito de interesses entre a LiveMode, a FFU e investidores como a XP Investimentos.
- Caso imponha restrições, a FIFA pode dificultar os planos da CazéTV e abrir espaço para a TV Globo retomar protagonismo.
Responsável por quebrar o monopólio de transmissão da TV Globo nas Copas do Mundo, a CazéTV pode enfrentar sérios obstáculos para garantir os direitos do Mundial de 2030, que será disputado na Espanha, em Portugal e no Marrocos. De acordo com informações publicadas pelo portal Notícias da TV, a FIFA tem manifestado forte descontentamento com o modelo de atuação da LiveMode, empresa proprietária do canal.
O principal ponto de discórdia nos bastidores da entidade máxima do futebol é um suposto conflito de interesses. A FIFA não vê com bons olhos o fato de a LiveMode atuar simultaneamente na compra, venda e exibição de direitos esportivos, além de compartilhar investidores diretos com a FFU (Futebol Forte União), uma das ligas de clubes do futebol brasileiro.
O cruzamento societário envolve o consórcio formado pela norte-americana General Atlantic e pela XP Investimentos. Em 2023, o grupo investiu R$ 2,6 bilhões para adquirir 20% dos direitos comerciais dos clubes da FFU pelo período de 50 anos. Pouco tempo depois, em abril de 2024, os mesmos fundos anunciaram um aporte financeiro na LiveMode, estreitando as relações de capital entre a agência de mídia e a liga de clubes.
Além da questão financeira, há um importante componente político que pesa contra a CazéTV. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) tem como meta prioritária viabilizar uma liga nacional única a partir de 2030, unindo os times da FFU e da Libra (que conta com potências como Flamengo, Palmeiras e São Paulo). Nesse embate político de bastidores, a FIFA tende a apoiar integralmente a CBF, enxergando a forte influência da LiveMode e da FFU como um fator de resistência à unificação.
Para contornar o problema e conceder os direitos da Copa de 2030, a entidade máxima do futebol mundial estuda impor medidas rígidas à LiveMode. Entre as sanções avaliadas, a FIFA pode exigir que a agência assuma uma única função no mercado (apenas compradora ou apenas exibidora) ou, em um cenário ainda mais drástico, condicionar o fechamento do contrato à saída definitiva da XP e da General Atlantic do quadro de sócios da LiveMode.
Uma eventual barreira da FIFA representaria um duro golpe para a LiveMode, que atualmente é a responsável direta por gerir os direitos da FFU e se orgulha de ter capitaneado as negociações do Brasileirão para o ciclo de 2025 a 2029, garantindo contratos bilionários e elevando a receita anual da liga de R$ 800 milhões para R$ 1,7 bilhão por temporada.
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