Fifa sai em defesa da CazéTV após polêmicas envolvendo direitos e publicidade de bets na Copa

  • FIFA sai em defesa da CazéTV e nega qualquer conflito de interesses na parceria com a LiveMode.
  • Executivo afirma que modelo de sublicenciamento usado no Brasil foi transparente e ajudou a ampliar alcance digital.
  • Entidade confirma que direitos da Copa de 2030 seguem em aberto e garante que nenhum player foi excluído da disputa.

Em meio a questionamentos do mercado e debates sobre a reconfiguração das transmissões esportivas no país, a Fifa se manifestou oficialmente sobre a sua relação com a CazéTV na Copa do Mundo de 2026. Em entrevista exclusiva ao jornal Estadão, o diretor executivo de Negócios da entidade máxima do futebol, Romy Gai, descartou qualquer tipo de conflito de interesses na parceria e defendeu o modelo de negócios adotado pela LiveMode no território brasileiro.

A empresa - que adquiriu os direitos do Mundial de 2026 no Brasil e sublicenciou parte deles para parceiros como o SBT e a N Sports -, vinha sofrendo pressões e críticas de concorrentes e analistas de mídia sobre sua atuação simultânea na compra, venda e transmissão de eventos. O executivo da Fifa, contudo, foi enfático ao negar irregularidades na negociação:

Não. A LiveMode adquiriu os direitos de diversas competições da Fifa desde 2022 com a clara intenção de explorar total ou parcialmente esses direitos por meio da CazéTV, e isso sempre foi totalmente transparente, realizado com o conhecimento e a aprovação da Fifa”, afirmou Gai.

Segundo ele, a prática de um detentor de direitos reservar uma parcela dos jogos para suas próprias plataformas digitais e comercializar o restante é um formato consolidado no mercado global de mídia.

Foi exatamente isso que aconteceu neste caso. A LiveMode adquiriu os direitos de mídia da Copa do Mundo da Fifa de 2026 e os explorou da forma acordada com a Fifa: utilizando a CazéTV para alcançar públicos mais jovens e diversificados, enquanto sublicenciou parte dos direitos ao SBT e à NSports. Essa estratégia nos ajudou a atingir nossos objetivos no Brasil e, por isso, não vemos qualquer problema nesse modelo”, explicou ao veículo.

Polêmica das bets

Gai também aproveitou o espaço para esclarecer a real função da LiveMode no ecossistema da federação internacional, explicando que ela atua estritamente como compradora dos pacotes de exibição, e não como intermediária nas vendas gerais da entidade no país:

Apenas para esclarecer: atualmente, a LiveMode detém os direitos de mídia de diversas competições da Fifa no Brasil. Ela não atua como agência de vendas dos direitos de mídia da Fifa no território”, pontuou.

Ao ser questionado sobre as polêmicas envolvendo as inserções comerciais de casas de apostas esportivas e a recente mudança de tom adotada pela CazéTV - que recuou de ações dinâmicas com menções a odds ao vivo após críticas do público e uma investigação por propaganda abusiva aberta pelo Ministério da Justiça -, Gai indicou que a Fifa prefere manter distância do assunto, tratando o tema como uma responsabilidade editorial exclusiva de quem exibe os jogos:

Essas relações comerciais são uma questão dos próprios veículos de comunicação, portanto a Fifa não participa dessas negociações publicitárias”, declarou o executivo, ressaltando que as diligências prévias (due diligence) de conformidade da federação ocorrem apenas sobre os seus próprios patrocinadores diretos.

Transmissão da Copa de 2030

A Fifa declarou extrema satisfação com os recordes atingidos pelas transmissões gratuitas via streaming no Brasil e, recentemente, em Portugal. No entanto, Romy Gai indicou que o sucesso desse modelo descentralizado em 2026 não garante sua replicação automática em outros territórios ou mesmo na Copa do Mundo de 2030, ressaltando que cada mercado possui hábitos de consumo, infraestruturas e leis diferentes.

Sobre o próximo Mundial, que será disputado na Espanha, Portugal e Marrocos, com jogos comemorativos na América do Sul, a entidade garantiu que o mercado brasileiro está com todas as portas abertas. O executivo descartou rumores de que canais tradicionais ou digitais já estariam em vantagem ou fora do processo de aquisição:

Neste momento, todos os direitos de mídia da Copa do Mundo da Fifa de 2030 permanecem com a Fifa e nenhum acordo foi firmado. Ainda não decidimos como será o processo de comercialização. No momento oportuno, entraremos em contato com as partes interessadas utilizando o formato que entendermos ser o mais adequado para atingir os objetivos gerais da Fifa”, revelou.

Gai concluiu destacando que, quando o processo for formalmente iniciado, todas as propostas serão avaliadas de forma individual e criteriosa: “Ninguém detém atualmente os direitos de mídia da Copa do Mundo da Fifa de 2030 no Brasil, e ninguém foi excluído do processo. Como acontece em todas as vendas de direitos de mídia da Fifa, realizaremos uma criteriosa due diligence (diligência prévia) de todos os potenciais parceiros para garantir que atendam aos nossos requisitos de conformidade”.


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