Tiago Leifert quer adotar estilo próprio de narração e diz que críticas são desproporcionais

  • Em entrevista para a Folha de S. Paulo, o comunicador disse que sua narração é natural e se surpreende com quem a considera muito diferente do padrão.
  • O jornalista também criticou a toxicidade das redes sociais e afirmou que evita consumir comentários sobre si.
  • Tiago narrará 22 jogos da Copa do Mundo pelo SBT e participará de programas especiais durante o torneio.

O apresentador e narrador Tiago Leifert abriu o jogo sobre a sua carreira e as reações do público ao seu estilo de transmissão esportiva, que frequentemente divide opiniões nas redes sociais. Em entrevista publicada nesta quarta-feira (3) no canal do YouTube da Folha de S. Paulo, o jornalista revelou que comandar transmissões é a realização de um sonho de infância, mas admitiu enfrentar dificuldades para compreender o motivo de sua abordagem ser vista como algo tão disruptivo pelo público geral.

Ao analisar o seu formato de trabalho, que busca se aproximar de uma narração mais "conversada" e informal — semelhante a um bate-papo descontraído entre amigos —, Leifert se mostrou surpreso com as constantes comparações e com as marcações de que sua locução seria fora dos padrões tradicionais.

“Eu juro por Deus, eu não tô me fazendo de bobo. Eu acho que tô fazendo igual a todo mundo e, assim, igual demais. Até falo: 'Pô, mas tá muito padrão isso aqui, cara'. Então, que bom que alguém me fala que tá diferente. Eu acho que é natural meu. É o jeito que eu faço”, ponderou o comunicador. Ele ressaltou que as mensagens de antigos companheiros de trabalho da Globo apontando diferenças em suas transmissões do Santos, por exemplo, o fazem escutar o próprio material e sentir que está apenas seguindo a cartilha dos demais narradores.

Diante da forte repercussão de suas narrações e falas polêmicas, o apresentador teceu duras críticas à toxicidade presente nas interações digitais, classificando a relação atual da sociedade com as plataformas virtuais como um hábito problemático e prejudicial à saúde mental. Tiago Leifert comparou o impacto nocivo das redes sociais ao tabagismo em décadas passadas e destacou que o volume de ataques que recebe é totalmente desproporcional à realidade das análises técnicas do jogo. Segundo ele, as ofensas pessoais costumam se sobrepor a qualquer debate produtivo sobre o conteúdo gerado na televisão e no streaming.

“Nenhum ser humano foi cabeado, programado para receber essa quantidade de informação sobre ele mesmo. Não faz bem, nem pro bem, nem pro mal também. Se for uma avalanche de elogio também desconfie, não é bom”, alertou o narrador ao detalhar o peso da exposição pública.

Ele lamentou que as interações quase nunca tragam observações reais sobre as transmissões, mas sim hostilidade gratuita: “Nunca ninguém chegou para mim em nenhum momento e falou assim: 'Tiago, tudo bem? Sou seu fã. Hoje na prova do líder você inverteu a ordem...'. É sempre assim: 'Você é um lixo, você é uma m*rda, você só tá aí porque seu pai é diretor da Globo'. A gente só recebe muito lixo de volta e a gente não tá cabeado para isso”.

Para contornar esse cenário desgastante, o jornalista explicou que sua estratégia atual consiste em manter o distanciamento das mídias digitais para se concentrar exclusivamente na qualidade da entrega de seus projetos e na diversão do público.

O foco do narrador agora está voltado para a Copa do Mundo, uma vez que Tiago Leifert vai narrar 22 jogos da competição pelo SBT. Além das transmissões ao vivo da primeira fase até o mata-mata, o apresentador também será peça-chave na criação e comando de pré-jogos e programas especiais na grade da emissora paulista durante o torneio de seleções.


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