⚡ DESTAQUES
- Especial resgata matérias de 1996 para comparar a "overdose" de transmissões esportivas de 30 anos atrás com a atual pulverização em streaming e plataformas digitais em 2026.
- Em 1996, 6 canais abertos e apenas 2 pagos (SporTV e ESPN Brasil) disputavam quase 50 torneios, enfrentando gargalos de grade, jogos em VT e conflitos judiciais de direitos.
- A transição de três décadas reflete a mudança da escassez de canais para a fragmentação de plataformas, exemplificada pela ida da LaLiga para a CazéTV após anos na ESPN.
Em 1996, o telespectador brasileiro começava a experimentar uma transformação que hoje parece absolutamente comum: a multiplicação das opções para acompanhar esportes na televisão.
Trinta anos depois, porém, a mudança foi muito além do aumento da quantidade de canais. Atualmente, os direitos esportivos estão distribuídos entre diferentes modelos de transmissão: TV aberta, TV por assinatura, streaming gratuito e serviços de streaming por assinatura. Em alguns casos, uma mesma competição pode estar disponível em mais de uma plataforma, enquanto outras são oferecidas integralmente de forma gratuita pela internet.
Um dos exemplos mais significativos está justamente no Campeonato Espanhol. A partir da temporada 2026/27, a CazéTV passou a deter os direitos da competição no Brasil, em um acordo que vai até 2032. O torneio deixa a ESPN, que havia se tornado sua principal casa no país nas últimas três décadas.
A comparação é particularmente interessante porque, em 1996, o Campeonato Espanhol já fazia parte da programação da ESPN Brasil e do SporTV. Só que o cenário era completamente diferente.
Naquele momento, havia apenas dois canais esportivos na TV por assinatura: o SporTV, criado originalmente como Top Sport e rebatizado em 1994, e a ESPN Brasil, lançada em 1995, anos após a chagada da ESPN internacional por meio da operadora TVA.
Na TV aberta, seis emissoras disputavam espaço na transmissão esportiva: Globo, Bandeirantes, Record, Manchete, SBT e CNT/Gazeta.
Era um mercado muito menor em número de canais, mas nem por isso pouco competitivo. Ao contrário: segundo levantamento publicado pela Folha de S. Paulo em 25 de fevereiro de 1996, as seis redes abertas e os dois canais esportivos pagos planejavam levar ao ar dezenas de campeonatos durante aquele ano, criando uma verdadeira guerra pelos direitos de transmissão.
E foi justamente esse cenário que o jornalista Adriano Catozzi registrou em três textos publicados naquela edição da Folha.
O contexto de 1996
O ano de 1996 era particularmente importante para a televisão esportiva brasileira porque também era ano olímpico. Os Jogos Olímpicos de Atlanta aumentariam ainda mais a disputa entre as emissoras, que preparavam grandes equipes e extensas programações.
A Folha apontava uma verdadeira "overdose" de competições: seis emissoras de TV aberta e dois canais pagos especializados em esporte transmitiriam até o fim do ano quase 50 campeonatos, sendo 30 deles de futebol, segundo a reportagem.
Outra coisa importante de entender no cenário daquele ano é perceber a lógica do mercado na época. As emissoras disputavam os direitos, buscavam jogos exclusivos e, em algumas situações, transmitiam partidas diferentes da mesma competição.
Isso significa que o excesso de oferta não representava necessariamente uma experiência mais simples para o telespectador. Pelo contrário: a programação podia ser fragmentada, os horários coincidiam e até jogos adquiridos para transmissão ao vivo acabavam exibidos posteriormente em videotape.
É esse universo que as três matérias publicadas pela Folha ajudam a reconstruir.
A primeira reportagem apresenta o cenário geral do mercado esportivo em 1996. O texto destaca a concentração de direitos em seis emissoras abertas e dois canais pagos, o forte crescimento do futebol na programação e a disputa cada vez mais intensa por campeonatos e profissionais. Também chama atenção para a ascensão de Record e SBT e para a perda de protagonismo de Band e Manchete.
REDES APOSTAM NO ESPORTE E EXIBEM 'OVERDOSE' DE COMPETIÇÕES NESTE ANOAlém da Olimpíada, 6 canais abertos e 2 pagos levam ao ar 48 campeonatos
Se depender da programação das emissoras, os esportemaníacos terão motivos de sobra para não desgrudar os olhos da tela durante este ano.
Além de ser ano olímpico, as TVs estão prometendo uma "overdose" de competições, em especial de futebol.
Seis emissoras de rede aberta e dois canais pagos - especializados em esportes - devem transmitir, até o fim do ano, 49 campeonatos, 30 de futebol.
Alguns campeonatos serão exibidos por até três redes, com jogos, dias e horários diferentes, ampliando opções aos fanáticos e levando quem não gosta de esporte ao desespero.
Só a ESPN Brasil coloca no ar 40 horas semanais de futebol. Sem contar os campeonatos de outros esportes.
A briga por audiência no setor começou pelos direitos de transmissão de campeonatos e prosseguiu na montagem das equipes de cobertura, com intenso troca-troca entre as redes.
Surgiram fórmulas mirabolantes para que todas mostrem jogos exclusivos dos mesmos campeonatos.
No meio do tiroteio, sobressaíram-se Record e SBT, que há pouco tempo não tinham tradição na área. E caíram Bandeirantes e Manchete, que já tiveram dias melhores.
A segunda matéria mostra o efeito colateral da multiplicação dos direitos. Com partidas acontecendo simultaneamente, as emissoras muitas vezes precisavam escolher quais jogos exibiriam ao vivo e quais seriam colocados em VT. O texto também revela como os contratos de exclusividade fragmentavam as competições entre as redes e aborda a disputa judicial entre ESPN Brasil e SporTV pelos direitos do Campeonato Carioca.
REDES DRIBLAM EXCESSO DE CAMPEONATOSJogos coincidentes fazem com que emissoras paguem por exibição ao vivo e tenham de transmitir em VT
O acúmulo de campeonatos de futebol em andamento faz com que as próprias emissoras fiquem impossibilitadas de programar corretamente seus horários e transmitir apenas eventos ao vivo, embora tenham esse direito assegurado em contrato.
Com muitos horários de jogos coincidentes, a solução tem sido optar pelo mais importante e passar o outro em VT, em novo horário.
E, para aumentar ainda mais as opções, em muitos casos as redes exigem jogos exclusivos dos mesmos campeonatos.
Assim, o jogo do Campeonato Italiano que o telespectador vê na Record não é o mesmo que vai ao ar na Bandeirantes.
O Campeonato Alemão da ESPN não é o mesmo da Record, e assim por diante.
Igual solução está sendo adotada nos campeonatos nacionais. O Paulista da ESPN Brasil não é igual ao transmitido pelo canal de TV paga Sportv.
A Record tem a opção de passar jogos diferentes das demais emissoras às quintas e sábados. A ESPN Brasil tem prioridade na escolha dos jogos da Copa do Brasil.
E o SBT só não comprou os direitos do Paulistão porque queria exclusividade e não conseguiu.
''É um critério respeitável, mas a Record resolveu enfrentar a concorrência'', diz o narrador Luiz Alfredo, justificando sua troca de emissora - ele saiu do SBT e foi para a Record.
O SBT partiu, então, para a realização de se seus próprios torneios - logicamente, desde que aprovados pela CBF (Confederação Brasileira Futebol).
É o caso do Torneio de Verão, da Taça dos Campeões da Conmebol e da Copa dos Campeões Mundiais.
E tem valido a pena. O torcedor fanático assiste ao seu time mesmo se for em campeonato de bolinha de gude.
No fim do ano passado, a tentativa da Record de transmitir um jogo exclusivo do Brasileiro gerou o novo horário das 19h - que acabou nas mãos da Rede Globo.
Não foi a primeira vez que os interesses da televisão interferiram num campeonato.
Mas, agora, as próprias emissoras estão interessadas na melhoria da qualidade das competições, hoje consideradas seus ''produtos''.
A ESPN Brasil teve rejeitada uma proposta para transmissão do Campeonato Carioca, que previa a destinação de 40% do valor do contrato (US$ 2 milhões) para os 12 times pequenos.
Era uma tentativa de tomar as equipes tão fortes quanto as do Interior paulista.
A vinda de Romário para o Flamengo, a boa fase de Túlio no Botafogo e a roubada de cena de Renato pelo Fluminense serviram para valorizar o Campeonato Carioca para as emissoras, mas não ainda ao ponto do Paulistão.
E as redes estão tendo de conviver também com "maracutaias'' típicas do futebol brasileiro.
A ESPN Brasil e o Sportv brigam na Justiça pelos direitos de transmissão do Campeonato Carioca.
Cada canal tem um contrato de exclusividade na mão, ambos assinados pela Federação Carioca de Futebol.
O terceiro texto funciona como um verdadeiro mapa da televisão esportiva brasileira em 1996. A publicação relaciona, emissora por emissora, os principais campeonatos e torneios previstos para aquele ano. O levantamento mostra a enorme presença do futebol internacional, incluindo Itália, Alemanha, Espanha, França, Inglaterra, Holanda, Japão, Argentina e Estados Unidos, além de competições nacionais e diversas modalidades olímpicas.
É também o documento que melhor permite visualizar a diferença entre aquele mercado e o atual: em 1996, o telespectador precisava consultar a programação de cada emissora para descobrir onde determinado campeonato seria exibido.
O ANO DO ESPORTE NA TVRECORD
TORNEIOS E CAMPEONATOS
- Jogos Olímpicos de Atlanta
- Campeonato Paulista (ao vivo, às quintas e sábados)
- Campeonato Carioca (ao vivo, às quartas e domingos)
- Campeonato Italiano (ao vivo, aos domingos)
- Campeonato Alemão (ao vivo. aos domingos)
- Copa da Inglaterra
- Copa da Uefa
- Copa da França
- Copa da Itália
- Eurocopa
PROGRAMAS
- Record nos Esporte
SBT
TORNEIOS E CAMPEONATOS
- Jogos Olímpicos de Atlanta
- Copa do Brasil
- Copa dos Campeões da Conmebol (já realizado)
- Copa dos Campeões Mundiais
- Temporada 96 da Indy
BAND
TORNEIOS E CAMPEONATOS
- Jogos Olímpicos de Atlanta
- Torneio Pré-Olímpico
- Campeonato Paulista (ao vivo às quintas e sábados)
- Campeonato Paulista de Aspirantes
- Campeonato Carioca (ao às quartas e domingos - VT para o Rio)
- Campeonato Brasileiro
- Campeonato Italiano (ao vivo, aos domingos)
- Campeonato Espanhol (VT ou ao vivo, aos domingos)
- Superliga de Vôlei Masculino
- Liga Mundial de Vôlei Masculino
- Grand Prix: de Vôlei Feminino
- Basquete Profissional NBA
- Copa Chevrolet: de Automobilismo
PROGRAMAS
- Show do Esporte
- Band Esporte
- Faixa Nobre
- Apito Final
GLOBO
TORNEIOS E CAMPEONATOS
- Jogos Olímpicos de Atlanta
- Torneio Pré-Olímpico
- Campeonato Paulista (ao vivo, aos sábados)
- Campeonato Brasileiro(ao vivo, aos sábados)
- Taça Libertadores da América
- Amistosos da seleção brasileira
- Campeonato Mundial de Fórmula 1
PROGRAMAS
- Globo Esporte
- Esporte Espetacular
- Placar Eletrônico
MANCHETE
TORNEIOS E CAMPEONATOS
- Jogos Olímpicos de Atlanta
- Campeonato japonês
- Superliga de Vôlei Feminino
PROGRAMAS
- Manchete Esportiva
- Boletim Olímpico
- Mundo dos Esportes
- Canal Cem
ESPN BRASIL (TVA)
TORNEIOS E CAMPEONATOS
- Campeonato Paulista (ao vivo, às quartas e domingos)
- Campeonato Carioca (ao vivo, aos domingos)
- Campeonato Goiano (ao vivo, para o Estado)
- Campeonato Paranaense (ao vivo, para o Estado)
- Copa do Brasil
- Campeonato Brasileiro (com uma hora de atraso, aos domingos)
- Campeonato Italiano (VT, aos domingos)
- Campeonato Alemão (ao vivo, aos sábados)
- Campeonato Francês
- Campeonato Espanhol
- Campeonato japonês
- Campeonato Argentino
- Campeonato Inglês
- Campeonato Holandês
- Campeonato Norte-americano
- Copa dos Campeões da Europa
- Copa da Uefa
- Recopa Copa da África (já realizada)
- Superliga de Vôlei
- Feminino Campeonato Carioca de Basquete
- Campeonato Sul-Americano de Clubes de Basquete Masculino
- Campeonato Mundial de Surf
PROGRAMAS
- Abre o jogo
- 30 Minutos
- Triz
- Limite, o Melhor do Automobilismo
- Pole Position
- Futebol no Mundo
- A Noite do Boxe
- Por dentro do Basquete
- Memorias
- Professor Planeta
- A Mulher no Esporte
- De a Z
SPORTV (Net SP/Multicanal/Net Sat)
TORNEIOS E CAMPEONATOS
- Jogos Olímpicos de Atlanta
- Campeonato Paulista (ao vivo, aos domingos)
- Campeonato Carioca (ao vivo, aos domingos)
- Campeonato Mineiro (VT, às terças)
- Campeonato Gaúcho (VT, às quartas)
- Campeonato Catarinense (VT, quintas)
- Campeonato Brasileiro
- Taça Libertadores da América
- Campeonato Italiano
- Campeonato Espanhol
- Eurocopa
- Torneio Pré-Olímpico
- Campeonato Paulista de Basquete Masculino
- Campeonato Paulista de Basquete Feminino
- Campeonato Paulista de Vôlei Masculino
- Campeonato Paulista de Vôlei Feminino
- Campeonato Brasileiro de Basquete Masculino
- Superliga de Vôlei Masculino
- Torneios de Tênis do Grand Slam
PROGRAMAS
- Surf Adventures
- Surf Mundial WQS
- Ultimate Fighting
- Basketmania
CNT-GAZETA
TORNEIOS E CAMPEONATOS
- Campeonato Paulista (VT compacto, às quartas, sábados e domingos)
PROGRAMAS
- Mesa Redonda
- Gazeta Esportiva
CULTURA
PROGRAMAS
- Cartão Verde
- Grandes Momentos do Esporte
O que a lista de 1996 revela?
Olhando para esse levantamento 30 anos depois, algumas características chamam imediatamente a atenção.
A primeira é a diversidade de futebol internacional disponível. A ESPN Brasil transmitia campeonatos da Itália, Alemanha, França, Espanha, Japão, Argentina, Inglaterra, Holanda e Estados Unidos, além das principais competições europeias.
Hoje, essa variedade continua existindo, mas o caminho até ela é completamente diferente. Em 1996, o telespectador tinha basicamente de escolher entre algumas emissoras e acompanhar a programação de cada uma. Não existiam aplicativos, plataformas digitais, canais oficiais no YouTube ou serviços de streaming capazes de disponibilizar uma temporada inteira sob demanda.
Também chama atenção a quantidade de jogos em VT. A Band, por exemplo, poderia transmitir o Campeonato Espanhol ao vivo ou em videotape. A ESPN apresentava o Campeonato Brasileiro com uma hora de atraso e o Italiano em VT, enquanto o SporTV também trabalhava com partidas gravadas de diversos estaduais.
A razão estava justamente na limitação técnica e na sobreposição de horários. A segunda matéria de Catozzi explica que as emissoras adquiriam direitos para transmissão ao vivo, mas nem sempre conseguiam colocar todos os jogos no ar simultaneamente.
Hoje, a lógica é quase inversa. Uma plataforma digital pode oferecer vários eventos ao mesmo tempo e permitir que o usuário escolha qual partida quer assistir.
De oito canais para um ecossistema inteiro
Em 1996, o universo analisado pela Folha tinha seis emissoras abertas e dois canais esportivos pagos.
Atualmente, não faz mais sentido contar apenas emissoras. A transmissão esportiva brasileira passou a envolver grupos de mídia, canais lineares, plataformas digitais, serviços de assinatura e canais gratuitos de internet.
A diferença pode ser observada no próprio Campeonato Espanhol.
Em 1996, o torneio aparecia na grade da ESPN Brasil e do SporTV. Trinta anos depois, a LaLiga deixa de estar associada à ESPN no Brasil e passa para um modelo de distribuição comandado pela CazéTV, com exibição gratuita em plataforma digital. A ESPN havia descrito, em 2024, sua relação com a competição como uma parceria de quase 30 anos.
O cenário atual mostra ainda uma inversão importante: o streaming gratuito passou a disputar direitos que historicamente estavam associados à televisão paga. A CazéTV se transformou em um dos principais exemplos desse fenômeno e chegou a conquistar direitos de grandes competições internacionais, enquanto a Copa do Mundo de 2026 também demonstrou a força do modelo, com a plataforma transmitindo gratuitamente os 104 jogos do Mundial em parceria com o YouTube.
Em outras palavras, há 30 anos o espectador precisava pagar para ter acesso a uma quantidade maior de campeonatos internacionais. Hoje, dependendo da competição, ele pode encontrar a temporada completa gratuitamente.
1996 x 2026: mudou a quantidade ou mudou a forma de acesso?
A principal conclusão desta primeira edição do Arquivo Mídia Esporte é que o futebol não ficou necessariamente "mais disponível" apenas porque existem mais transmissões.
Em 1996, existiam menos canais, mas o grande desafio era ter acesso ao canal que possuía os direitos. A televisão por assinatura ainda era um mercado restrito, e a internet não fazia parte da rotina de consumo esportivo.
O telespectador tinha poucas portas de entrada, mas cada uma delas reunia uma quantidade considerável de competições. A ESPN Brasil, por exemplo, já apresentava uma programação fortemente internacional, enquanto o SporTV concentrava estaduais, campeonatos nacionais e diversas modalidades.
Em 2026, as portas de entrada se multiplicaram. Existem emissoras abertas, canais esportivos pagos, plataformas de streaming por assinatura e serviços gratuitos. Em consequência, aumentou drasticamente o número de competições que podem ser acompanhadas ao longo de uma temporada.
Mas surgiu um novo problema: a fragmentação dos direitos.
O torcedor pode encontrar uma competição na TV aberta, outra na TV paga, outra em um serviço de streaming e outra gratuitamente no YouTube. Assim, a barreira econômica diminuiu em algumas situações, mas a complexidade para descobrir onde cada campeonato está aumentou.
Esse fenômeno representa talvez a principal diferença entre os dois períodos.
Em 1996, o grande problema era a escassez de canais.
Em 2026, o desafio passou a ser a abundância de plataformas.
E há uma ironia nessa comparação: a televisão de 1996 já enfrentava o problema que parece moderno. Na matéria "Redes driblam excesso de campeonatos", Adriano Catozzi descreveu uma realidade em que havia tantos direitos e tantos jogos simultâneos que as próprias emissoras tinham dificuldade para organizar a programação.
Trinta anos depois, o excesso continua existindo. Só mudou de forma.
Antes, o telespectador precisava descobrir qual emissora exibiria o jogo.
Hoje, precisa descobrir qual plataforma detém o direito, se o conteúdo é gratuito ou pago e em qual aplicativo poderá assistir.
O que não mudou foi a disputa pelo telespectador. Em 1996, ela acontecia entre Globo, Band, Record, SBT, Manchete, CNT/Gazeta, ESPN Brasil e SporTV. Em 2026, essa concorrência acontece em um ecossistema muito maior, que inclui televisão tradicional, serviços de streaming e plataformas digitais.
E talvez essa seja a melhor maneira de entender a evolução das transmissões esportivas no Brasil: não saímos de um cenário com pouco futebol para outro com muito futebol. Saímos de um cenário com poucos canais para um mercado em que praticamente qualquer plataforma pode se transformar na casa de um campeonato.
O curioso é que, olhando para três matérias publicadas há 30 anos, fica claro que o problema central continua exatamente o mesmo: quem conseguirá os direitos e, principalmente, quem conseguirá colocar o torcedor diante da tela?
Fontes e documentos de referência: Folha de S. Paulo, edição de 25 de fevereiro de 1996; reportagens de Adriano Catozzi [1],[2],[3].
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