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Globo pagou propina por direitos de transmissão, diz delator do caso Fifa

Alejandro Burzaco disse que subornava autoridades do futebol nas negociações de venda dos direitos de competições da Conmebol

Reprodução

O empresário Alejandro Burzaco, um dos principais delatores do caso Fifa e responsável pela empresa Torneos, acusou nesta terça-feira a TV Globo por ter pago propina por direitos de transmissão. Além da emissora, Fox Sports, Televisa, Media Pro, Full Play e Traffic também fizeram parte do esquema. As informações foram divulgadas em primeira mão pelo site Buzz Feed News e confirmadas pelo UOL Esporte.

Burzaco, que se entregou em 2015, disse que, por meio de sua empresa de marketing esportivo, subornava autoridades do futebol nas negociações de venda dos direitos de transmissão de competições ligadas à Conmebol, como Copa América, Copa Libertadores e Sul-Americana.

Durante a audiência em Nova York, a citação dos grupos de mídia foi feita depois de o promotor perguntar sobre a parceria entre a Torneos y Competencias e as empresas de comunicação.

"Várias. Fox Sports dos Estados Unidos, Televisa do México, Media Pro da Espanha, TV Globo do Brasil, Full Play da Argentina, Traffic do Brasil, Grupo Clarín da Argentina", disse antes de ser perguntado se alguma pagou propina. "Todas, menos o Clarín", completou.

Segundo o delator, Marcelo Campos Pinto, então diretor da parte esportiva da Globo, se reuniu em um restaurante em Buenos Aires com Julio Grondona, na época presidente da AFA, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. No encontro, eles discutiram subornos em relação a Libertadores e torneios sul-americanos. O UOL Esporte tentou entrar em contato com o ex-funcionário da Globo, mas o telefone não atendeu as ligações.

O delator ainda afirma que Ricardo Teixeira, na época presidente da CBF, teria recebido propinas da Torneos no valor de US$ 600 mil por ano pelos direitos da Libertadores e Copa Sul-Americana.

Burzaco ainda afirmou que Teixeira tinha "hábitos muito incomuns e estranhos". Isso dificultava o pagamento, que seria feito no Oriente Médio, Ásia e Andorra.

As instruções de como seria feito o pagamento para Ricardo Teixeira eram passadas por uma pessoa identificada como Charlie, que trabalhava em uma casa financeira. A transferência precisava ser feita em até 48 horas.

O julgamento sobre a investigação de corrupção na Fifa começou na última segunda-feira (13) nos Estados Unidos e envolve o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF.

Outro lado

Em contato com o UOL Esporte, a Rede Globo negou as acusações e reiterou que o grupo não é parte do processo nos Estados Unidos.

Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos."

"Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige", informou.

Tanto Marin quanto Marco Polo Del Nero são acusados de receberem propinas em prol de empresas de marketing. No entanto, o atual presidente da CBF não foi a julgamento por estar em solo brasileiro. Por meio do advogado José Roberto Batocchio, o cartola negou qualquer envolvimento com a denúncia de propinas.

"Desconheço o teor deste documento e acho difícil opinar a distância sobre ou conteúdo. Mas foram rastreadas todas as movimentações econômicas do doutor Marco Polo e o FBI não encontrou um centavo a ele direcionado seja pelo sistema bancário, ou dinheiro em espécie. A informação está nos autos."

"O doutor Marco Polo não e réu e todos os contratos foram celebrados no período em que Marco Polo não era dirigente da Confederação (Brasileira de Futebol) e assinou outro presidente. O FBI propõe para o mundo um critério de investigação que é 'follow the money'. Seguiu todo dinheiro manuseado e nenhum centavo dirigido para o doutor Marco Polo, que não participou de nenhum ato. É com indignação que recebo qualquer incriminação por parte de um delator recebendo prêmios para incriminar", comentou.

Por sua vez, Ricardo Teixeira ainda não tem comentários sobre a denúncia. "Antes de qualquer comentário quero ler e aí sim vou poder falar. Assim que eu analisar posso me manifestar", disse o advogado Michel Assef Filho.

Fonte: UOL Esporte

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