Diretor da Globosat revela que modelo do Esporte Interativo incomoda operadoras

Pelo fato de ainda não estar nas maiores operadoras de TV a cabo, o Esporte Interativo investiu em planos exclusivos para a internet, com toda programação aberta para assinantes na web, através da plataforma EI Plus.

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Pelo fato de ainda não estar nas maiores operadoras de TV a cabo, o Esporte Interativo investiu em planos exclusivos para a internet, com toda programação aberta para assinantes na web, através da plataforma EI Plus.

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No entanto, a iniciativa seria um entrave para a emissora que detém os direitos da UEFA Champions League fechar acordo com Net, Sky e Claro TV. A afirmação foi dada peloo diretor-geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Ele contesta as críticas e diz que o modelo de negócio do EI o impede de entrar nas maiores operadoras da TV a cabo.

"Os veículos de comunicação, de modo geral, estão deixando passar um aspecto fundamental na questão do Esporte Interativo. O ecossistema de TV paga contrata canais para fornecer conteúdos exclusivos a seus assinantes. Nenhuma programadora de TV paga disponibiliza esses conteúdos via internet para os assinantes, com exceção do Esporte Interativo", explica Pecegueiro.

Por meio do EI Plus, o assinante pode ter acesso a toda a programação do Esporte Interativo por R$ 14,90 mensais, ou 12 vezes de R$ 9,90 em um plano anual. Na Apple Store e na Play Store, os valores são cobrados em dólares (US$ 6,99 mensais). Outras emissoras de esporte permitem ao assinante do pacote da TV acessar o conteúdo pela internet, mas não abrem a possibilidade para fazer a assinatura exclusiva para o site.

Segundo Pecegueiro, a possibilidade de negociação direta entre emissora e assinantes que existe no modelo do Esporte Interativo estaria incomodando as operadoras, que veriam na própria emissora um concorrente em potencial.

"Essa tentativa de dizer que o público brasileiro vai deixar de ver a Liga dos Campeões porque o Esporte Interativo não consegue distribuição é conflitante com uma decisão de negócios da Turner [grupo multinacional que é sócio-majoritário do Esporte Interativo] de colocar todos os jogos da Liga dos Campeões na internet para que você possa assistir mesmo que não seja assinante de TV a cabo", afirma.

"Então esse negócio de creditar à minha frase na mesa-redonda da ABTA [o fracasso nas negociações com operadoras] quando ele [Edgar] tem uma decisão de negócios que claramente confronta todo o ecossistema de TV paga é manipulação", conclui o executivo da Globo, se referindo a uma declaração dada por ele em agosto em palestra na ABTA. Pecegueiro falou de "loucos à solta", referindo-se aos valores investidos por emissoras na aquisição de direitos de transmissão, entre elas a Turner, a atuação do grupo Discovery na Europa e também a Al-Jazeera.

Na mesma ocasião, uma mesa-redonda que tratava da relação entre os valores investidos na compra de direitos de transmissão e seu efeito na cadeia de valores do mercado, ele disse que cabia às operadoras dar o limite a esse tipo de "loucura". A Globosat controla a SporTV, concorrente do Esporte Interativo.

"Toda a negociação por direitos esportivos envolve uma lógica de negócios. A gente vê no mundo, e não só no Brasil, algumas tentativas que carecem dessa lógica. Isso encarece toda a cadeia de valor do mercado", diz Pecegueiro, explicando sua fala sobre "os loucos no mercado."

O vice-presidente sênior de conteúdo esportivo do Esporte Interativo, Edgar Diniz, ressaltou não estar fazendo nenhuma acusação ao executivo da Globo, mas se disse perplexo e preocupado com suas declarações.

"O Pecegueiro disse que não tem qualquer relação na negociação entre a Turner e as operadoras e, em seguida, diz quais são as razões pelas quais as operadoras não distribuem os canais do Esporte Interativo. Como ele sabe essas razões das operadoras se não tem qualquer envolvimento? Por que as razões que ele diz são diferentes das razões divulgadas publicamente pelas operadoras a seus clientes (que foram do preço alto)? Por que ele está se pronunciando em nome das operadoras sobre essas razões? Não estamos fazendo nenhuma acusação, até porque a questão seria muito grave, mas tenho que confessar que minha perplexidade e preocupação aumentaram com essas declarações", argumenta Diniz.
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