Globo vê crescimento da CazéTV como ameaça e mira exclusividade da Copa de 2030 como prioridade máxima

  • A TV Globo definiu a Copa do Mundo de 2030 como prioridade máxima e quer retomar exclusividade total do torneio no Brasil.
  • A emissora tenta reagir ao avanço da CazéTV no digital após audiência e faturamento abaixo do esperado em 2026.
  • A disputa pelos direitos de 2030 deve intensificar a guerra entre Globo e CazéTV, com a FIFA avaliando desempenho e entrega das parceiras atuais.

A Copa do Mundo de 2026 ainda está no começo, mas os bastidores do mercado de mídia esportiva já estão completamente voltados para o planejamento do próximo ciclo. Incomodada com a perda de protagonismo no digital e com a forte concorrência, a TV Globo colocou a Copa do Mundo de 2030 como a maior prioridade estratégica da empresa, decidida a não poupar esforços para recuperar a exclusividade de todas as partidas na televisão e na internet.

De acordo com informações reveladas pelo colunista Gabriel de Oliveira, do jornal O Dia, a cúpula do conglomerado carioca tem lidado com faturamento e índices de audiência abaixo do esperado. Como resposta imediata, o principal objetivo do grupo é ocupar a janela de transmissão gratuita no YouTube, hoje sob posse da CazéTV, utilizando para isso o canal da GE TV.

A pressa da Globo para se consolidar no ambiente digital tem justificativa. Segundo informações divulgadas pelo portal F5, da Folha de S. Paulo, a FIFA já comunicou oficialmente aos representantes das empresas que o desempenho operacional e o engajamento de público na edição de 2026 serão os fatores determinantes para a aquisição dos direitos do próximo Mundial.

A entidade máxima do futebol monitorará critérios rígidos de entrega das duas parceiras brasileiras. Serão avaliados de perto o tempo total de programação na grade diária, o alcance absoluto de usuários únicos e o rendimento das transmissões especificamente no ambiente digital. A grande meta da federação é inflacionar a arrecadação com direitos de transmissão no Brasil, que se encontra estagnada desde o período anterior à pandemia de COVID-19.

Ciente do nível de exigência imposto, a Globo montou uma megaoperação internacional para demonstrar seu poder de cobertura, enviando uma delegação de 130 profissionais para os países-sede, consolidando-se como a maior equipe do país. A comitiva conta inclusive com estrelas do entretenimento e jornalismo, como Renata Vasconcellos e Ana Maria Braga, com o intuito de estender o assunto do torneio por toda a grade da TV aberta.

Esse volume de pessoal destaca-se amplamente no mercado nacional, uma vez que o SBT e a N Sports contam com cerca de 60 profissionais na cobertura dos jogos, e a CazéTV atua com uma equipe consideravelmente menor no local do evento. Em declaração ao F5, o diretor de esportes da Globo, Renato Ribeiro, afirmou que a empresa quer provar à FIFA que apenas a Globo consegue entregar uma cobertura massiva em todas as plataformas.

Enquanto a Globo tenta fazer valer a força da TV aberta tradicional, a CazéTV aposta na agilidade e no engajamento do público jovem como diferenciais competitivos de peso. Nesta edição do torneio, o canal gerido pela LiveMode é o único veículo no Brasil a transmitir todas as 104 partidas de forma gratuita, detendo exclusividade digital em 52 confrontos.

O grande trunfo comercial da CazéTV para se manter relevante diante da emissora carioca é a exclusividade absoluta sobre os direitos digitais. Isso permite ao canal publicar clipes de gols em tempo real, melhores momentos e cortes nas redes sociais, como o Instagram e o TikTok, atraindo uma audiência de menor faixa etária que consome entretenimento de forma descentralizada.


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