Executivo da Globo fala sobre renovação de contratos com clubes até 2024

"O Grupo Globo continua apostando no futebol nacional", disse Pedro Garcia, diretor de direitos esportivos da emissora

15:53

"O Grupo Globo continua apostando no futebol nacional", disse Pedro Garcia, diretor de direitos esportivos da emissora



Por Globoesporte.com (Redação) - O Grupo Globo está buscando renovar os direitos esportivos com os principais clubes do futebol brasileiro até 2024. O GloboEsporte.com conversou com o diretor de direitos esportivos, Pedro Garcia, sobre o andamento das negociações em cada janela, a importância do futebol para o grupo e a modificação no modelo de cotas. Veja abaixo a íntegra da conversa:

GloboEsporte.com: Muito já se discutiu sobre as negociações dos direitos do futebol. Como anda esse assunto?

Pedro Garcia: A negociação clube a clube é complexa. É importante assegurar que os interesses individuais de cada clube e coletivos da competição estejam garantidos na negociação para que o espetáculo aconteça em sua melhor forma. Uma competição competitiva, atraente e de alto nível é interessante para todas as partes, para quem torce, para quem investe e para quem transmite. Há 30 anos o Grupo Globo se envolve profundamente com o futebol brasileiro, promovendo e valorizando o esporte, não só nas transmissões em horários nobres como na extensa cobertura esportiva.

Os direitos de transmissão são apenas um fator entre muitos que estão envolvidos no esporte: bilheteria, programas de sócio-torcedor, ações de marketing, patrocínio, todos interferem na profissionalização dos clubes, na valorização dos atletas e na competitividade do esporte. Nunca se investiu tanto no futebol. A Globo acredita e aposta em um futebol cada vez mais forte, mais transparente e mais profissional. Dito isso, estamos avançando bem na negociação com os clubes e já acertamos com vários deles a nova parceria.

Por que o futebol é um conteúdo tão importante para o Grupo Globo?

Há 30 anos, nossa relação com os clubes está pautada numa agenda comum que visa à valorização do futebol e na busca incessante de qualidade nos campos e nas transmissões. Enquanto o futebol for importante para os brasileiros, será também para o Grupo Globo. Nosso investimento não é apenas na compra dos direitos, mas também na excelência das transmissões, com tecnologia e recursos de referência entre as melhores emissoras do mundo e com uma equipe de profissionais, diante e atrás das câmeras, altamente especializada. É um investimento pesado, que nos torna parceiros preferenciais de competições internacionais como os Jogos Olímpicos, os Mundiais e as Copas do Mundo. E inclusive parceiros na operação de captação desses grandes eventos, emprestando nossa expertise para a transmissão das competições para o resto do mundo. Será assim novamente nos Jogos Olímpicos Rio 2016, em algumas arenas do futebol. Como grupo 100% brasileiro, ser referência entre as melhores TV do mundo é motivo de orgulho e reflexo do nosso esforço diário de levar o melhor conteúdo, na melhor forma, para o nosso público e parceiros.

Acreditamos no esporte como ferramenta de transformação da sociedade. Esporte é saúde, é educação. Trabalha valores como superação, disciplina, companheirismo. E o futebol é o nosso carro-chefe do esporte. É paixão e mobilização popular. Não há dúvidas de que o Campeonato Brasileiro é a competição anual mais importante para nós. Além dele, temos a Copa do Brasil, os estaduais e regionais, além das competições internacionais que são disputadas por nossos clubes, que sempre receberam grande investimento do Grupo, além de exposição e cobertura amplas em todas as nossas janelas. O nosso objetivo, como grupo de comunicação, é fortalecer a relação de paixão do torcedor com seu clube. Mais do que uma competição isolada, o nosso objetivo é dar a possibilidade ao fã de acompanhar seu time em todos os campeonatos de que participa.

Quais diferenciais o Grupo Globo acredita ter para manter a preferência dos clubes nesta concorrência pelos direitos do futebol?

Nós acreditamos na nossa história de relacionamento com o futebol – com os apaixonados pelo esporte, com o mercado anunciante, com as operadoras de TV Paga e com os clubes. Buscamos a excelência sempre, reunindo os melhores profissionais do país, desenvolvendo tecnologia exclusiva in house e em parceria com os maiores players do mercado mundial. Em lugar nenhum do mundo, os clubes e o esporte têm tanta visibilidade como no Brasil, uma exposição gratuita e massiva, o que reforça a relevância que a nossa parceria traz para o futebol. Em 2015, exibimos, no conjunto de nossas mídias, cerca de 1.700 jogos ao vivo.

Só na TV Globo, canal aberto e gratuito, foram 280 jogos ao vivo em 2015, considerando apenas Série A e B do Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil, Carioca, Paulista, Mineiro e Gaúcho - ainda tivemos mais jogos dos demais estaduais, amistosos e seleção brasileira, com ampla cobertura no Esporte Espetacular, no Globo Esporte, no Jornal Nacional e no Fantástico. A TV Globo garante aos torcedores, com qualidade e relevância, amplo acesso ao esporte pelo qual são apaixonados e, aos patrocinadores, uma tela importante de exposição, abrangência e retorno. Só no Brasileirão Série A, a Globo exibe três dos 10 jogos de cada rodada. E, nesta competição e no Campeonato Paulista e Carioca, os direitos ainda são compartilhados com a Band. É esse importante ativo, não encontrado em nenhum outro mercado, que os clubes têm em mãos para negociar seus patrocínios e incrementar suas receitas.

O Première, com seus dois milhões de assinantes, traz a exclusividade dos jogos-chave e se tornou uma importante fonte de receita dos clubes, com muito potencial de crescimento ainda pela frente. E é responsável pela produção das TVs da maioria dos Clubes, exibindo semanalmente um programa com os bastidores dos times, gerando mais proximidade do torcedor com seu clube da paixão. Além disso, promove com cada clube ações de relacionamento junto aos torcedores Sócios Premiere.

O SporTV completa o cenário oferecendo mais opções de competições ao torcedor, trazendo do Brasileirão Série A ao futebol de base (com mais de mil jogos ao vivo em 2015), dando a possibilidade de se assistir, todos os dias, a um jogo de times nacionais. Isso sem falar em toda a cobertura dedicada exclusivamente ao Futebol nos programas exclusivos sobre bola como o Troca de Passes e o Seleção SporTV.

Como grupo 100% brasileiro, acreditamos neste nosso compromisso de promover e ajudar a desenvolver o futebol nacional. O mercado anunciante reconhece esse esforço, não é à toa que temos algumas das maiores marcas do país nos acompanhando neste projeto, em todas as janelas de exibição onde atuamos. Aqui vale um princípio básico: toda negociação tem que ser boa para todas as partes.

O que levou a Globo a mudar a distribuição dos direitos de TV nessa negociação que está em andamento?

Os clubes. Desde 2012, quando os acordos passaram a ser clube a clube, adotamos a mesma distribuição que era usada pelo C13, mas, a partir de 2015, os mesmos clubes começaram a discutir uma nova forma de rateio que estamos adotando para o novo acordo a partir de 2019.

Nossa negociação é pelo futebol. Como fazemos questão de ressaltar, o Grupo Globo leva em conta o torcedor (que é um apaixonado pelo esporte), o anunciante e patrocinador (que investem pesado para terem suas marcas associadas ao futebol), as operadoras de TV paga (que são parceiras importantes do futebol brasileiro, pois ajudam a levar este espetáculo a mais telas), as Federações e principalmente os clubes e os jogadores (que são os que fazem o espetáculo).

Acompanhamos a evolução do mundo no que diz respeito a novos modelos de negociações de direitos esportivos, transmissões e contratos, e temos consciência de que uma nova divisão da receita de TV entre os clubes reflete um desejo dos clubes. Por isso incorporamos esta evolução em nossa proposta.

O que garantimos - e é o que tem feito com que a maioria dos clubes brasileiros confie na seriedade e na transparência da nossa proposta - é o entendimento de que essa é uma negociação viva, que envolve interesses muito diversos e que deve entregar benefícios a todas as partes. Tem que ser sustentável para todos e ser um compromisso de longo prazo. Não pensamos em um período de contrato, mas em uma vida de parceria em torno do futebol. O Grupo Globo investe no futebol brasileiro há 30 anos, de forma crescente. Futebol é paixão, mas esta paixão fica melhor quando é cercada de profissionalismo, transparência e retorno.

Temos um modelo claro, transparente e vantajoso. Mas sabemos que este modelo de negociação é vivo. Cabem aprendizados, inovações, evoluções e reajustes, que estão sendo feitos. Por exemplo: quando novas tecnologias surgem, elas precisam ser avaliadas, precificadas e analisadas. Isso amplia o escopo de receita de todas as partes, principalmente dos clubes. Como dissemos, é o caso do PPV e das transmissões digitais.

Por tudo isso, o desenvolvimento de um contrato e uma negociação não se fazem da noite para o dia. Estamos discutindo e avançando nesse processo de negociação desde o ano passado, no início de 2015. Ajustes e evoluções em negociações como essas, para serem sérios e sustentáveis, não podem ser feitos irresponsavelmente de uma hora para a outra. Uma negociação deve ter o compromisso de evoluir todos os dias.

A nova divisão de cotas, ao estilo inglês, valerá também para os contratos de TV aberta e PPV?

Sim, porque a nossa proposta prevê que 100% do valor de TV Aberta e 100% do valor de TV Fechada serão divididos da seguinte forma: 40% dos valores envolvidos igualmente entre os 20 times que participarem de cada temporada, pois todos os times contribuem objetivamente com a grandeza do espetáculo do futebol brasileiro. Outros 30% são divididos entre os 16 colocados no ranking, para respeitar e premiar a meritocracia, os times que investiram, que estão mais competitivos, que estão se dedicando à temporada e performando melhor. E os demais 30% são divididos pelo percentual de exibição de cada time na TV aberta e na TV fechada, o que também é justo pois remunera a imagem dos times mais expostos. Estamos propondo um modelo baseado nesses três vetores pois acreditamos que é bom para o desenvolvimento do futebol e reflete o desejo dos clubes, procurando sempre alinhar os interesses do torcedor, que quer assistir a uma transmissão imparcial, emocionante e com qualidade; dos anunciantes e patrocinadores, que querem associar a sua marca a um esporte que é uma paixão nacional, que investem muito nessa transmissão porque acreditam no seu retorno; das operadoras de TV paga, que são parceiras importantes do futebol brasileiro, pois ajudam a levar este espetáculo a mais telas; e dos clubes, que têm no Grupo Globo uma parceria de anos, uma parceria que tem contribuído para a profissionalização do futebol brasileiro. E não, porque o PPV continua sendo dividido de acordo com o número de torcedores de cada time que assinam o Première.

Com que clubes e por quais valores o Grupo Globo já fechou os direitos para TV fechada entre 2019 e 2024?

Já fechamos contratos com alguns clubes para TV fechada que chegam até o ano de 2024, já no novo modelo. O que garantimos é que não fizemos proposta para pacote global, e sim uma proposta com valores para todas as janelas: TV Aberta, TV Paga, PPV e Internet, seguindo o modelo vigente onde temos contratos separados por janelas. Como grupo de comunicação abrangente, estamos presente em todas essas janelas de visibilidade, e somos líderes em cada uma delas. Entendemos que cada uma delas tem características próprias e nossa proposta leva tudo isso em consideração. Infelizmente, não posso abrir os valores pois não achamos correto já que envolvem outras partes.

Com a economia do país em crise, por que tanto investimento no futebol?

É inegável que o país vive um momento economicamente complicado. Toda negociação em curso, em qualquer setor da nossa economia, está passando hoje por um processo de ajuste constante. Mas nós temos um compromisso com o Brasil, pois somos um grupo 100% nacional que acredita nesse país, acreditamos na retomada da nossa economia e investimos no talento do brasileiro, em todas as áreas onde atuamos. Por isso que, mesmo nesse contexto economicamente difícil que estamos vivendo, nos sentimos desafiados a manter a aposta no futebol brasileiro, que é um conteúdo muito importante para nós, encontrando um modelo sustentável a curto, médio e longo prazo. Tivemos que adequar outros investimentos para fazer mais esse aporte no futebol. Mas estamos fazendo isso de forma consciente, estudada e sustentável, para zelar por um modelo que garanta o crescimento e a união do futebol nacional. O investimento da Globo no futebol não é recente nem um interesse passageiro. O esporte está no nosso DNA, é um conteúdo importante de nossas janelas, uma paixão que valorizamos. Nossa parceria e compromisso com o futebol são de passado, presente e muito futuro. Não acreditamos em “comprar mercado” mas em “investir no segmento”.

A Globo poderá fechar apenas a TV Aberta com clubes que tenham acertado a Fechada com outro grupo?

Sim, negociaremos TV aberta e PPV com os clubes que tiverem a TV fechada comprada pela Turner, por exemplo.
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